Nesta edição de Na Cama com as Nerds nós vamos conversar com Marcelo Tavares, um dos maiores colecionadores de plataformas do Brasil, com mais de 200 consoles e cerca 3000 jogos em seu acervo, e fundador da Brasil Game Show, maior feira de games da América Latina!
Neste bate-papo falaremos um pouco sobre a sua paixão por colecionar artigos voltados para os games, sobre a história da Brasil Game Show e, o nosso foco principal, sobre o mercado consumidor e produtor/desenvolvedor de games no paÃs. Tendo em vista o grande destaque que o Brasil vem ganhando internacionalmente quando se trata destes setores, convidamos um especialista e apaixonado por esse universo para falar sua opinião a respeito.
Então, se você também é um apaixonado por esse universo não deixe de ler esta super entrevista e conhecer um pouco mais sobre estes assuntos!
Vida de colecionador:
Nerds de Vestido – Quando e como começou a se interessar por jogos eletrônicos? Foi influenciado por alguém?
Marcelo Tavares – Eu comecei aos 7 anos de idade com um Atari 2600 da Polivox, me lembro de ir na antiga Sandiz, o grande magazine da época, e ver uma dezena de Ataris ligados, era encantador na época para mim. Acho que não houve influência, talvez aquela coisa de ser criado dentro de apartamento (risos) e de buscar algo interativo, onde eu trabalhasse mais com a cabeça do que com o corpo.
N.V. – Você é um grande colecionador de artigos referentes a games, quantas peças tem em seu acervo, qual foi a primeira e por que começou com este hobby? Em meio a tantos Ãtens, qual é o seu favorito e por quê?
M.T. – Então, atualmente são mais de 200 consoles, centenas de acessórios e cerca de 3000 jogos. Recentemente tive que fazer uma pequena reforma na minha casa para poder comportar todo o acervo que não para de crescer. Tudo começou aos 7 anos de idade, sempre fui muito cuidadoso, diferente da maioria das crianças. Fui guardando sempre tudo que ganhava, mas acho que eu queria sempre mais (risos). Me lembro que na infância e adolescência o meu passatempo favorito era ler as revistas de games, que eu comprava religiosamente nas bancas todos os meses. Nestas revistas eu tinha o combustÃvel que despertou o meu desejo de colecionar, eram tantas coisas diferentes, muitas que iriam fracassar logo depois, mas que eu vi e babava com as imagens e informações. Nesta época a internet não era difundida como nos dias de hoje e revistas nacionais e estrangeiras eram minha fonte de informação. Comecei minha coleção pelo Atari, Nintendinho, Mega Drive, este último até hoje um dos meus favoritos, ao lado também do Sega Nomad e do 3DO. Acho que o 3DO de todos ainda é o que eu mais curti, talvez pelo número de jogos, ou ainda por nesta idade ter sido a fase em que mais joguei videogame na minha vida. Também foi uma fase marcante, pois consegui ganhar de presente o 3DO em uma data muito próxima ao seu lançamento no exterior o que era uma verdadeira façanha.
Brasil Game Show:
N.V. – Como surgiu a ideia de criar a Brasil Game Show?
M.T. – A Brasil Game Show surgiu da paixão de colecionador, do sonho de visitar a E3 que realizei anos depois, e principalmente da vontade de ver no Brasil uma Feira de alto nÃvel, grandiosa e com novidades em peso como acontecia lá fora. Acho que tudo tem muita relação com as revistas onde lia as notÃcias sobre a feira americana ou ainda o que acontecia na Tokyo Game Show. Lembro que no inÃcio da década passada quando resolvi trabalhar com games, minha primeira ideia foi realizar pequenos eventos, o primeiro um Gamechurrasco (risos), não deu muito certo ao misturar carne, cerveja com joystick de videogame. Já a partir do segundo chamava-se Gamesrj e foi talvez o protótipo da Brasil Game Show de hoje. Por alguns anos trabalhei em outras áreas, mas sempre com um pé nos games, nesta época já no jornalismo de games. Mas em 2008 tudo me levou a emplacar um grande projeto na área de eventos para o mercado gamer com o primeiro Rio Game Show. A minha experiência era muito maior, minha capacitação/qualificação, o mercado estava carente há 3 anos naquele momento sem nada do gênero e eu decidi encarar o desafio de vez. É bom ver hoje que todo o esforço valeu a pena e um evento que na primeira edição foi o trabalho praticamente de um homem só, acabou se transformando na Brasil Game Show, a maior feira de games da América Latina, fruto de um trabalho de 12 meses e de uma equipe de cerca de 10 pessoas que trabalham full time para que o projeto seja o sucesso que ele é hoje.
N.V. – Com o Brasil se destacando cada vez mais no mercado mundial de games, qual seria o papel da BGS neste cenário?
M.T. – A Brasil Game Show é uma ferramenta. Tanto para o mercado nacional que pode ganhar visibilidade, exportar conteúdo. Como para o mercado internacional que vê no evento a sua porta de entrada no paÃs. Mas acima de tudo acho que é a grande chance dos gamers brasileiros apresentarem sua força. Um mercado com mais de 45 milhões de jogadores deve ser encarado com respeito. E o público, onde gamers como eu e você estão inseridos, merece toda a atenção das grandes empresas de games. Acho que gradativamente conseguimos isso, este ano de 2012 será um marco. Hoje a Brasil Game Show é um evento que não para de crescer e se torna cada vez mais referência no cenário internacional, assim como nosso mercado local.
Marcado nacional de games:
Há alguns anos o Brasil vem se destacando internacionalmente devido ao desenvolvimento do seu mercado consumidor de jogos eletrônicos nacional, chamando a atenção de grandes empresas do ramo que, visando este mercado com mais de 45 milhões de consumidores, estão encontrando maneiras de investir cada vez mais no paÃs.
De acordo com dados de pesquisa divulgados recentemente pelo IBOPE, encomendada pela NC Games (distribuidora de softwares da América Latina), 31% dos brasileiros possuem algum aparelho de vÃdeo game em casa, um número que até pouco tempo era considerado impensável. Segundo informações levantadas pela agência de pesquisa de mercado GfK Consumer Choices, em 2011 houve um aumento de 53% na venda de consoles em relação ao ano anterior. Segundo a agência, no ano de 2010 foram vendidas 642 mil unidades, enquanto no ano seguinte foram vendidas 935 mil, demonstrando um grande crescimento do consumo. Ainda segundo a mesma pesquisa, tal aumento se deve a queda de preços do produto, o que fez com que os consumidores se deslocassem do mercado informal para o formal.
N.V. – Há alguns anos podemos notar um crescimento do mercado consumidor de games no Brasil, gostaria de saber sua opinião a respeito disto, quais poderiam ser suas possÃveis causas, o que teria mudado no perfil do consumidor dos games ou no mercado para que tal cenário fosse criado?
M.T. – O Brasil vive um ótimo momento como um todo no cenário internacional basicamente por 3 motivos: economia forte, Copa do Mundo em 2014, OlimpÃadas em 2016. Acho que tudo isso, somado a crise na Europa e EUA, fez com que as empresas multinacionais olhassem para o Brasil com outros olhos. No mercado de games, as empresas perceberam que uma massa de mais de 45 milhões de jogadores não poderia ser desprezada e com isso felizmente dezenas de empresas começaram a investir mais no mercado de jogos eletrônicos em nosso paÃs. O resultado é uma redução gradativa na pirataria e no contrabando e um aumento no número de consumidores de produtos originais através de lojistas igualmente oficiais. Afinal o desejo de todo gamer é ter em casa um jogo original, na caixinha, com manual e suporte do fabricante. O mesmo se aplica aos consoles que graças a fabricação local ou mesmo nos casos onde apenas há a distribuição no paÃs, já estão muito mais acessÃveis aos gamers tanto em preço como em formas de pagamento e com o mesmo suporte e garantia.
N.V. – Grandes empresas como Sony e Microsoft estão cada vez mais mostrando interesse e investindo neste mercado nacional, gostaria de saber quais são as expectativas futuras para este cenário.
M.T. – Em 2011 tivemos duas grandes notÃcias durante a Brasil Game Show. A primeira delas a redução do valor do XBOX graças a produção no paÃs pela Microsoft, a empresa participou do evento pela primeira vez e ficou impressionada pelo resultado positivo e a receptividade do público. Acredito que a empresa deve continuar a se aproximar dos gamers nos próximos meses e possivelmente deve trazer novidades e novas reduções de preço no futuro, vamos torcer para que isso aconteça. Por outro lado a Sony trouxe pela primeira vez ao evento seu diretor internacional junto com uma comitiva para apresentar o portátil PSVITA para o público brasileiro e latino americano. Até pouco tempo atrás era difÃcil de imaginar tamanha atenção das empresas com o público gamer brasileiro, deixamos de ser apenas mais um mercado para estas empresas, para nos tornarmos um dos mercados com o maior potencial de crescimento no mundo.
N.V. – Quanto ao setor de desenvolvimento de games nacional, podemos dizer que o mesmo obteve um crescimento proporcional ou o Brasil ainda é considerado tÃmido frente aos demais paÃses? O mercado de trabalho para desenvolvedores e para outras profissões relacionadas a tal setor está favorável ou o candidato ainda precisa focar-se no mercado internacional?
M.T. – Os games desenvolvidos no Brasil a cada dia que passa estão ganhando mais espaços no mercado internacional especialmente quando falamos de mobile e games para mÃdias sociais. É claro que o potencial ainda é muito maior, podemos perceber que existem milhares de alunos estudando atualmente com o sonho de se tornar um desenvolvedor. Muitos desenvolvedores brasileiros também já fazem parte de equipes de sucesso em grandes empresas fora do paÃs. Ano passado, durante a Brasil Game Show, desenvolvemos duas iniciativas para promover está área. A primeira delas foi o Game Jam, um desafio para criação de games em 48h, com equipes de universidades de diversos estados brasileiros. A segunda, o Festival de Jogos, teve diversas categorias, incluindo jogo do ano, trilha sonora, jogabilidade, e também melhor jogo independente, onde a equipe recebeu como premiação uma viagem para a GDC, Game Developers Conference realizada em São Francisco, EUA. Acho sim que existem muitas oportunidades para o bom profissional tanto no mercado nacional como no exterior. Hoje em dia desenvolver para IOS e Android se tornou também uma grande oportunidade para os desenvolvedores iniciantes e um bom projeto com este perfil pode sim nascer no Brasil e se tornar um grande sucesso mundial.
N.V. – Com a perspectiva de um especialista em games, como você espera que o mercado consumidor e produtor de games se desenvolva futuramente?
M.T. – Eu acho que no Brasil estamos começando a desfrutar dos benefÃcios de um mercado oficial. A presença das empresas no paÃs é fundamental. Acredito numa redução crescente da pirataria não só pelo advento das novas tecnologias como também pela redução de preços, desenvolvimento econômico do paÃs e conscientização do usuário. A tendência é que o contrabando também perca o seu espaço, já que os gamers poderão adquirir produtos originais e com garantia em revendedores oficiais. No contexto da tecnologia, acredito no fim da mÃdia fÃsica por completo, ainda que a longo prazo com um aproveitamento cada vez maior da internet. Acho que a tecnologia 3D e até mesmo os hologramas devem tomar conta da indústria de games, tudo isso sem esquecer é claro do outro lado, o crescimento e popularização dos games para mobile e mÃdias sociais.
A edição de 2012 da Brasil Game Show acontecerá entre os dias 11 e 14 de outubro no Expo Center Norte em São Paulo. Para saber mais informações, acesse o site oficial do evento, curta a fanpage da BGS ou então siga @BrasilGameShow no Twitter para ficar sempre por dentro das novidades. Vale lembrar que os ingressos já começaram a ser vendidos e quem comprar antecipado ganhará um desconto imperdÃvel! Garanta já o seu ingresso!
